Como é de conhecimento público o PSD vem já à uns anos a trilhar um rumo completamente desajustado da realidade, melhor ainda, desintegrado do país e afastado das pessoas. Não é altura para solenizas. As questões actuais são de uma enorme gravidade e muito complexas. Pela minha parte, considero que mais do que nunca é preciso ter muita coragem, é uma questão de liberdade ou escravatura. Apenas com a liberdade de expressão podemos chegar à verdade que urge em aparecer, e desta forma encontar as soluções para o país. Se me abstivesse de revelar as minhas opiniões, por receio de ofender, considerar-me-ia indigno de ser um militante atento e particularmente cansado de ver o nosso país cada vez mais injusto, pobre, desigual e no meio disto o PSD impotente face á urgência.
É normal que aqui e ali nos entreguemos à esperança e à ilusão de que está tudo no caminho correcto. Temos muitas vezes a tendência para fechar os olhos face à verdade na esperança que mais além tudo será melhor. Será este o melhor caminho para o PSD e em particular para o país? Não creio. Pela minha parte, estou disposto a conhecer toda a verdade. A direcção nacional do PSD, a meu ver, vive na ilusão de que mais dia, menos dia o governo socialista cairá de podre, em que, naturalmente o PSD assumirá o poder! Será assim desta vez!?
Não conheço outra forma de julgar o futuro a não ser pelo passado. E a julgar pelo passado gostaria muito de saber: o que houve de positivo na conduta dos nossos políticos nos confrontos da Assembleia da Republica, que hoje nos leve a pensar que o país segue pelo caminho correcto? Interrogo-me muitas vezes se valeu a pena tantos sacrifícios pedidos ao povo em nome da estabilidade e da esperança. Será que valeu a pena tanta paciência com os iluminados políticos, ou foi com o nosso consentimento que caminhamos para a “morte lenta”?
Não nos iludamos mais. Os discursos poderosos de holocausto iminente dos últimos anos tiveram um único objectivo: intimidar-nos e levar toda a gente a pensar que não á outro caminho. Toda via, não estamos isentos de culpa. Que argumentos temos tido nós para lhes opor? Tentamos alguma vez mudar esta angústia? Se pensar-mos que não, estamos à espera de quê? É o nosso país que precisa de nós.
Temos todos que reflectir militantes e não militantes. Pretendemos ser livres de verdade, ou deve continuar tudo na mesma? Se pretendermos ter igualdade de circunstâncias e não deixar cobardemente que sejam meia dúzia de nobres sábios paternalistas a decidir a seu belo prazer o nosso futuro, ou queremos ter uma palavra a dizer? Sei bem que ter uma palavra a dizer é o caminho mais difícil, mas com muito melhor resultado.
Espero que ninguém se iluda. Por mais palavras que surjam vindas sempre dos mesmos a prometer paz, pão, povo e liberdade, será nada mais que um analgésico a retardar os nossos problemas. Deixo assim o meu ponto de vista. Sei que muito pessimista, mas não encontro outra solução para o PSD e para Portugal que não seja reconhecer que o sistema falhou, e que é preciso procurar outro!