
Apúlia, que é uma freguesia do concelho de Esposende, apesar de estar situada à beira-mar, aquilo que a tornou famosa não está relacionado só com a pesca, mas também com a agricultura.
É a figura do sargaceiro, que apanhava as algas (sargaço) trazidas para a costa pelo mar, a fim de as utilizar na fertilização dos campos, depois de terem sido secas ao sol. Embora a actividade da apanha do sargaço esteja agora reduzida ao mínimo, ela em Apúlia teve uma grande importância no passado. Permitiu, inclusive, que se fertilizassem as dunas da Estela e de Apúlia, transformando-as em campos produtivos, os chamados campos-masseira.
Os sargaceiros não eram profissionais da apanha do sargaço. Eram os próprios habitantes da terra (Homens & Mulheres) que, em determinadas ocasiões, abandonavam o trabalho nos campos e iam para a praia recolher sargaço e estendê-lo no areal para secar. Concluída a temporada da apanha do sargaço, regressavam à sua actividade agrícola.A inconfundível indumentária que os homens vestiam para a apanha do sargaço é motivo de muita admiração por todo o sitio onde passam. Não falta quem evoque as túnicas dos antigos romanos e as "saias" dos pauliteiros de Miranda (que na verdade não são saias; são camisas, que são tão compridas que parecem saias; digamos que os pauliteiros se "esqueceram" de vestir as calças e dançam em fraldas de camisa) para justificar o uso da chamada branqueta com saiote pelos sargaceiros da Apúlia. (entenda-se que não sou entendido nesta matéria)
È reconhecida grande dedicação dos habitantes de Apúlia a esta associação de interesse cultural inigualável, mas temo que esta partidarização que vem sofrendo nos últimos meses estrague a transversalidade a que nos foi habituando ao longo dos seus anos de existência.
Para quem está minimamente atento, e até pela cultura assumida pela associação da não utilização/participação em iniciativas partidárias, (aceitável) o que vemos é indirectamente de forma bem estruturada umas iniciativas aleatórias com a participação de alguns políticos que nada tem haver com os Sargaceiros da Apúlia, o que de resto é lamentável!
Independentemente de tudo, o que fica é o facto de o Sargaceiro ser uma figura Apuliense, o carisma de todos aqueles que ao longo dos anos trabalharam em condições extremamente duras e difíceis, onde as “lagrimas de sangue” muitas vezes correram no rosto destes nossos heróis (Homens & Mulheres) que enfrentavam a terra e o mar como modo de vida, a eles sim, devemos a nossa identidade cultural e apreço pelo legado.
A homenagem deve ser feita a todos os Apulienses que deixaram este legado na nossa história, porque pagaram com muito suor aquilo que muitos querem agora receber de bandeja amarelada!
1 comentários:
Sou brasileiro, filho de um apuliense, Secundino Eiras, nascido em 1905, cuja familia lavrava as terras da Apúlia. Ele relatava exatamente como está aqui quanto ao uso do sargaço como adubo e a indumentária do sargaceiro. Detalhe: o sargaceiro nada vestia por baixo, dizia meu pai...
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